- "As travessuras de um Matuto".>> Voltar<< Continuação

A primeira aventura
Com apenas nove anos de idade, seus pais cedem a pressão de sua vó paterna a toda poderosa dona Maria e deixam que o matuto vá morar com sua vó no pé da serra, desenhava-se neste momento a trajetória de um autêntico nômade que não parava em lugar nenhum a procura de uma auto-afirmação com sua pré-determinação, fruto das necessidades cotidianas que lhe eram impostas pela vida.

A diferença entre as crianças de sua época criadas no mesmo local, é que enquanto os outros meninos se divertiam nas brincadeiras tradicionais locais, como andar a cavalo, cortejar bois, matar passarinhos, etc. ele ficava isolado pensando em uma forma de conhecer o sul do país, traçando planos, inventando Cidades iluminadas, como ouvira falar que existiam e até tentava construir estas obras de ficção com ramas de melão são Caetano (árvore trepadeira nativa da região) e outros artifícios parecidos com material de construção. Portanto seu grande sonho seria um dia ver de perto aquilo que os adultos projetavam em sua idéia.

Sempre rebelde, com seu gênio forte que o caracterizou desde pequeno, pois não gostava de levar desaforo para casa e pensando como gente grande, pois não gostava de conviver com crianças que só pensavam em brincar e não tinham o sonho de um dia ver de perto aquilo que para ele seria seu grande desafio. Passou por grandes provas, perdendo algumas oportunidades, em virtude de sempre querer que prevalecesse seu ponto de vista, mas sempre coerente e crente que seria um vencedor.

Iniciou seus estudos primários muito tarde em Bomconselho (Colégio Comercial Souto Filho) e só aos 20 anos concluiu o ginásio, já em Garanhuns (PE)Cidade próxima de sua terra natal, (Colégio Estadual Prof. Gerônimo Gueiros), onde residia com seu tio Clarindo e trabalhava para ganhar sua alimentação no bar 16 de junho, de propriedade de seu parente chamado Vicente.

O Primeiro desafio
Em dezembro de 1972, surge na Cidade o tio Júlio em companhia de seu filho Valdecir, que viviam no Sul do País, mais precisamente no Estado do Paraná, os quais lançam um desafio em levar o matuto embora para o Sul do País.

O dinheiro era escasso, pois a remuneração produto de seu emprego era apenas a alimentação, portanto trabalhava em troca de comida, mas apareceu seu grande anjo protetor, o primo Arnaldo e lhe emprestou o dinheiro para custear a viagem até seu destino final, dinheiro este que mais tarde recebia anistia como prêmio pela conquista do título de campeão da maratona de Marumbi do ano de 1973, onde o mesmo participou como uma autêntica zebra e se sagrou campeão.

E seu outro primo Albenides lhe emprestou a mala, que a exemplo do dinheiro, também recebeu o perdão, em virtude da conquista. Por aí percebe-se que todo mundo estava tentando ajudar ou empurrar o matuto para o abismo. E este é o ponta pé inicial para que pudesse se iniciar a grande viagem deste aventureiro que aportou em Marumbi, no norte do Paraná em dezembro de 1972, tendo permanecido na Cidade até dezembro de 1975, onde além de concluir o 2º grau (técnico em contabilidade), tentou uma fracassada profissão de jogador de futebol, onde chegou a beira do estrelato e para variar, em virtude de seu temperamento que lhe era peculiar e outros revés da profissão.

Como conseqüências do temperamento, não aceitou a condição de as vezes ser reserva do time de futebol M.E.C (Marumbi Esporte Clube), equipe da 3ª divisão do Campeonato Estadual do Paraná, que era mantido pela Prefeitura local, com a ajuda de alguns empresários da Cidade, por entender que não havia coerência no critério por parte do treinador e em conseqüência de uma lesão nos ligamentos, em conseqüência de uma entrada criminosa em um treino, por parte do filho do treinador, o zagueiro "Duílio", fez com que o matuto abandonasse o futebol, sua grande paixão prematuramente.

Uma curiosidade
Como o matuto, uma pessoa vinda de origem duvidosa, para maior parte da população, ingressara naquela equipe de futebol, uma verdadeira panelinha da elite local: Como o mesmo era um estranho no ninho, mas muito insistente, pediu para fazer um teste na equipe de futebol, porém recebeu um não daqueles que era para desistir de tudo, colocar sua prancha nas costas e procurar outra praia, mas não foi isso que o matuto fez e contra-atacou da seguinte forma: Juntou - se a um grupo de boleiros da Cidade (nome que se dar na gíria a jogador de futebol), que se sentiam também injustiçados e fundaram uma equipe de futebol, denominada “ AJAC” (Associação Juventude Atlético Clube), cuja finalidade seria fazer amistosos festivos e concorrer a popularidade com o MEC, uma equipe mantida à base do esforço comum de seus integrantes e que não tinha uma sede e muito menos campo para treinar e nem mandar jogos.

Porém isso não foi obstáculo para que a equipe fizesse sucesso, tendo ido buscar jogadores nos sítios e fazendas, montando uma equipe de respeito e que jogava por prazer. Aproxima-se o aniversário da Cidade e a Secretaria Municipal de Esportes local, em comum acordo com a comissão técnica do MEC preparam uma grande festa esportiva na Cidade, trazendo para festejar o aniversário de Cidade, nada mais do que o caçula da 1ª divisão do Futebol daquele ano, o PEC (Paranavaí Esporte Clube). Quando a turminha do AJAC soube da realização do tal amistoso, ficou enfurecida e foi tomar uma satisfação na Prefeitura local, exigindo uma explicação de porque, ao invés de trazer time de futebol da 1ª divisão, não faziam a festa contra a AJAC.

O Secretário em uma manobra política, quis se justificar, falando que este jogo estava acontecendo, justamente para que a equipe do MEC pudesse medir forças com outra de seu nível técnico e sendo o AJAC uma equipe inexperiente, não servia de teste, pois a equipe do MEC estava prestes a entrar em uma maratona, que seria o campeonato estadual da terceira divisão e tinha que ser testada e já que vocês querem também testar o timinho (neste momento os idealizadores do AJAC, ficaram bufando, mas engoliram seco, a palavra “timinho” ) e nosso plantel é grande, podemos resolver este impasse, fazendo um mixtão e realizando um jogo na preliminar contra vocês. Desafio aceito e em dias de jogos do MEC, o Estádio Municipal vereador “João Fuzetti”, ficava totalmente lotado.

Entram em campos as duas equipes, onde a diferença entre o primo pobre e primo rico, era visto logo de cara pela qualidade do material esportivo. O time do MEC entrava com um saco de bolas, todas marca de renome, sendo que o pessoal da AJAC entravam em campo com apenas uma bola e que era confeccionada por um sapateiro local (adãozinho). Os jogadores do MEC, nem cumprimentavam direito os pobres do AJAC, mas tudo dentro dos conformes. Se inicia a partida e logo aos 6 minutos o AJAC abre o placar em uma bela jogada individual de um ponteiro direito de apelido “Pé de Ferro”, (nome que a torcida começou a dar ao matuto, em homenagem ao seu sobrenome Ferro).

Se desenha a goleada, pois aos 15 minutos o placar já acusava 3 à zero para os visitantes e no final do jogo, um placar delatado de MEC 0 X AJAC 6, com 3 gols do matuto, muito embora o mesmo não era um artilheiro, pois em toda sua trajetória futebolística, não chegou a marcar 20 gols, mas este jogo tinha um sabor todo especial. A torcida no meio do segundo tempo, já torcia contra sua equipe e aclamava o nome de alguns jogadores do AJAC e entre os aclamados, constava o nome do matuto, o qual deu um verdadeiro baile no lateral esquerdo “Duílio”, o filho do treinador. A pressão da torcida valeu e na Segunda feira, 5 jogadores do AJAC eram convocados para integrar a equipe do MEC e com isso, para tristeza de muitas pessoas que já virara torcedor daquela equipe verde e amarela, chamada AJAC era desfeita.

Mudando-se para Campinas, no interior de São Paulo e Fez alguns testes na equipe da Ponte Preta, equipe tradicional da Cidade, mas pela gravidade da lesão, provocada por aquela jogada violenta, e sua idade já fora dos padrões do clube, onde sua diretoria valorizava muito a prata de casa e não se interessou por sua aquisição, fazendo com que seu sonho de se tornar um grande astro, jogando futebol, fosse frustrado. Desistiu de tudo, deixando para trás toda estrutura que montara até então. Desesperado e despreparado tecnicamente na parte profissional, foi em busca de uma oportunidade no competitivo mercado de trabalho, em uma época de recessão e muita concorrência na conturbada ânsia de vencer um desafio que se iniciara ainda quando nem sabia o que significava a palavra "mercado de trabalho".

O Matuto perdido na Cidade Grande
Chegando em Campinas, em uma época em que conseguir trabalhar seria uma façanha, principalmente quando não se tinha uma profissão definida e nem tão pouco dispunha de um apadrinhamento para fazer uma indicação. Perambulou pela Cidade, chegando ao extremo de se unir aos moradores de rua e morar em baixo do viaduto (Viaduto Vicente Curi), onde lavava roupas, tomava banho e fazia as necessidades fisiológicas básicas em um posto de combustível, próximo ao que existia nas imediações, em troca de fazer a segurança do estabelecimento e passando a conviver com pessoas de todas as mentalidades, onde era muito querido por aqueles seus novos colegas e vizinhos.

Foi uma fase difícil de ser superada. Em uma de suas andanças a procura de emprego, descobriu o Varli Gonçalves, um capixaba gente fina, que o levou para morar em uma pensão, onde o mesmo morava (pensão da dona Tal) na Rua Dr. Barbosa de Barros no Bairro do Botafogo, próximo à estação rodoviária. Embora sem dinheiro, o matuto conquistou a simpatia da boa mineira da Cidade de Campo do Meio, sul de Minas, próximo Alfenas , dona da pensão, que o adotou, como um autêntico filho e que por sinal através da Maria Inêz, filha da dona da pensão, o matuto arruma seu primeiro emprego em uma loja de móveis e eletro - domésticos. Um serviço informal, pois o patrão não assinava carteira, antes de 3 meses de experiência em acordo verbal, firmado entre as duas partes, cuja função se misturava entre vendedor, faxineiro e vigia de loja.

Não deu outra e o patrão não gosta de sua postura e manda-o embora antes do término da experiência, por deficiência prática, segundo a justificativa do patrão pois trapalhadas eram constantes em sua nova função, em conseqüência da falta de experiência de nunca ter trabalhado no ramo. Ficou mais uma vez perambulando pela Cidade de Campinas , até que por uma coincidência, deu de cara com seu primo Valdecir, que o convidou para conhecer Valinhos (Cidade próxima de Campinas), onde nesta visita recebe um convite para trabalhar em um Hotel Fazenda, desafio aceito sem nem sequer questionar salário, pois à esta altura dos acontecimentos o que importava era local para alojamento e isso a Empresa oferecia.

A função era dupla também, ou seja: A noite era recepcionista, com atribuições de guarda patrimonial, receber hóspedes, atender telefone, levar pedidos para os hóspedes nos apartamentos e salas de jogos, levar bagagens, lavar carros dos hóspedes, esquentar mamadeiras para as crianças dos hóspedes e outras atribuições. Durante o dia, tinha a função de aprendiz de auxiliar de escritório, sem remuneração, pois quando aprendesse o serviço, seria promovido, segundo acordo firmado verbalmente na entrevista. Promessa esta cumprida parcialmente por seu patrão,( pois continuava auxiliando nos serviços de portaria do Hotel em troca do alojamento) após 5 meses de aprendizado.

Esta nova função era de extrema responsabilidade, pois seria o responsável por toda movimentação financeira da Empresa, que além de Hotel Fazenda, explorava a atividade de Turismo e principalmente aos domingos e feriados o local era muito freqüentado. Mesmo gozando de um grau de confiança muito grande por parte do patrão, sempre existiam os assessores do mesmo que tinham uma certa ponta de ciúmes e isso foi o fator preponderante para que o matuto ficasse mais uma vez desempregado.

Voltou para Campinas mais uma vez indo morar na antiga pensão que o acolhera outrora e desta feita com mais preparo, arrumou emprego em uma rede atacadista de vendedor, onde permaneceu até receber o convite de uma grande Empresa da Capital, que tinha filial em Campinas, para desenvolver a função de auditor Júnior externo, com um salário razoável e todas as despesas pessoais pagas pela Empresa, cujas atribuições eram constantes viagens para fazer inspeção em uma rede de aproximadamente 200 lojas espalhadas por quase todo Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Distrito Federal e Amazonas).

Em uma visita a uma dessas filiais, recebe um telefonema para comparecer na Matriz e o seu encarregado, um baiano de nome Hélio o cobra pela demora na assimilação dos serviços de rotina, onde o matuto não leva desafora para casa e de bate pronto responde: É mais fácil ensinar um papagaio novo falar, do que um papagaio velho. Imediatamente recebeu o ultimato de demissão do emprego. Porém o matuto cativava as pessoas pelo seu jeito simples de ser e com os contatos que tinha com a Diretoria da Empresa, em função do cargo ser ligado a diretoria, principalmente o Sr. Carmo, um paulistano muito querido por todos, desde diretores à funcionários, embora não evitou seu desligamento, mas foi um semente plantada para uma futura nova oportunidade na Empresa.

Desempregado mais uma vez, resolve visitar seus pais e parentes deixados à anos lá no sertão. No Terminal Rodoviário do Glicério, na Capital Paulista, ponto de partida da viagem rumo ao nordeste, dar de cara com uma família que tinha o mesmo destino, é a família Cândido da Rocha, chefiada pelo Sr. Sebastião e composta de mais 5 pessoas ( dona Luiza - Esposa, Janis- Filha, Janice - Filha, Jerferson e Jacob Olímpio-filhos), começa ali o namoro, mais fica complicado entre as duas meninas, qual será o alvo do ataque, mas logo o matuto decide investir na Janis que é a filha mais velha, apesar de apenas 13 anos, mas aparenta ter bem mais. Bom papo sem os seus futuros sogros perceberem , começa a rolar o namoro e fim da viagem, em Arcoverde/PE.

Coincidentemente e tudo coisa tramada, o retorno para São Paulo, lá estão denovo no interior do ônibus, frente a frente a família Rocha e o matuto, só que desta vez já bem mais familiarizados e o futuro sogrão fez a seguinte colocação, com uma dose de ironia: Poxa, que coincidência nós estarmos regressando juntos, afinal isso foi combinado? A esta altura dos acontecimentos, já existia alguma desconfiança que algo estava começando a rolar. E a futura sogra, uma paulista da Cidade de salto, descendente de europeus, também de temperamento idêntico ao do matuto para não deixar barato, faz a mesma colocação, deixando o matuto embaraçado.

E para não se ver em apuros, o matuto já foi tratando de dar uma justificativa e foi curto e grosso em sua colocação: É realmente eu sabia que vocês iriam regressar hoje e como eu gostei muito de viajar ao lado de vocês, resolvi voltar hoje também, para dar um força a vocês com as crianças (os dois futuros cunhadinhos, Jeferson e Jacob), diga-se de passagem, a Jacob hoje músico, já era um artista, pois era um expert em matéria de fazer os outros riem. Viagem de 3 dias até chegar em São Paulo. Quando chegam após o desembarque, o matuto faz a seguinte proposta para seu amigo Sebastião: O Senhor se encomodaria se eu fizesse uma visita a vocês em um final de semana, afinal eu moro em Campinas e fica distante apenas 40 quilômetros de sua Cidade, Salto.

A resposta, foi também curta e grossa na presença de toda família ali reunida, afinal de contas, como você sabe que nós moramos em Salto e como sabe nosso endereço para chegar até nossa casa? O Matuto respondeu , meio sem jeito: A Janis me passou estas informações. Bom já que essa "ureiuda" (pessoa de orelha grande, como ele xingava as pessoas em tom de brincadeira), lhe deu nosso endereço e você já sabe onde nós moramos, pode ir sim lá em casa a hora que você quiser, respondeu o seu Sebastião, com sua costumeira forma hospitaleira que lhe é peculiar, afinal de contas estavam ali frente a frente dois conterrâneos da peste e a tradição nordestina de hospitalidade não nega fogo, aí começou o namoro prá valer, muito embora com a reprovação da futura sogra, por querer que sua filha tivesse um futuro diferente de ser uma dona de casa, ou empresária do lar, como tecnicamente se chama as pessoas que se dedicam a esta profissão, pois não sabia de muitos dados sobre o pretendente de sua filha mais velha e com toda razão queria preservar a integridade e zelar pela futuro de sua filha, muito embora pouco adiantou, pois o matuto tem um pouco de sangue português e espanhol, teimoso como uma mula e quando quer uma coisa vai a luta e consegue, pelo menos na maioria das vezes, quem o conhece, sabe que isto é uma verdade.

Em uma destas viagens que faz a Salto, no interior de São Paulo, conhece uma pessoa que dar uma dica que uma Empresa multi-Nacional, da Cidade precisa de um elemento para serviços de auxiliar de contabilidade, entrevista marcada e o matuto arruma emprego. Fica na Cidade 1 ano e 7 meses, morando inicialmente em uma pensão no bairro da Estação e pede para seu amigo Sebastião que o acolha em sua casa, embora com um pouco de resistência de sua sogra, o matuto consegue os convencer. Os sogros fazem um trabalho e convencem o matuto a seguir com mais responsabilidade a religião, até então um católico apenas de nome e mais uma vez é demitido do emprego.

Vai a São Paulo, Capital e conversa com seu protetor Sr. Carmo do antigo emprego e é admitido para fazer o mesmo serviço. Em uma dessas viagens a serviço, mais precisamente na Cidade mineira de Governador Valadares, na qual a Empresa mantinha uma filial, o matuto recebe um telefonema de sua namorada, onde a mesma confessa que está grávida e por conhecer o temperamento de seus pais, pede que o matuto venha resolver a parada. Nesta hora o galego tremeu na base. Mas pediu permissão a sua encarregada e regressou a Salto para tentar fazer um casamento ao seu modo, ou seja: Casar no civil e formalizar legalmente a união e qual seria a tática: A primeira pessoa a saber da novidade foi a Bisavó Olívia, uma líder da família, que intermediaria toda conversa.

Porém quando a bomba estourou o sogrão virou uma fera. Porém o pior foi quando a sogra soube que o casamento planejado, seria apenas no civil, ora, fazer uma proposta desta a uma família tradicionalmente católica, apostólica romana e praticante, seria um desacato. porém com a diplomacia da senhora Olívia, o Incidente foi resolvido.

Casamento marcado dentro das formalidades tradicionais, onde a noiva barrigudinha e linda entra na Igreja Matriz de São Benedito com véu de grinalda e tudo que a boa tradição católica recomenda e se derrete em choro ao ouvir as músicas cantadas pelas salmistas da Comunidade Neocatecumenal,principalmente a denominada " Vem do Líbano" Nasce a primeira filha ( Luizabel- união dos nomes das duas avós Luiza e Isabel) Com as viagens constantes, o relacionamento se torna meio complicado e na segunda gravidez, vem a separação antes da criança nascer, neste caso seria a segunda filha, a Herta Cristina.

O Matuto fica solto por esse mundão, mas ele não se esquece de sua família, onde continua mantendo contato e oferecendo auxílio financeiro, muito embora sendo recusado por sua ex-esposa, uma pessoa também de temperamento muito forte e que não queria falar que dependia do mesmo para sobreviver. Em uma sexta feira, o carteiro lhe entrega uma correspondência, cujo conteúdo principal era um convite de sua ex-mulher para realizar uma convivência da Comunidade Neocatecumenal (um movimento da Igreja Católica muito querido por sua ex- esposa). convite aceito e na viagem entre Salto e Jundiaí, já no retorno, os dois conversam e chegam a um entendimento e voltam a união, muito embora no mesmo serviço, com as viagens constantes, que provavelmente ocasionou a separação, muito embora tiveram outros fatores.

Na noite de domingo, após o retorno do retiro religioso, casal recém recasados, saem para dar um rolê na vizinha Cidade de Itú e o produto disso é mais uma filha, a Marivânia uma menina linda que nasceu com um problema denominado "Síndrome de West", doença que impede o desenvolvimento mental e o cérebro não processa informações, deixando a pessoa totalmente inválida para o resto da vida, cujo problema, foi o pretexto para o matuto deixar o emprego na Capital e desta vez solicitando encarecidamente que a Empresa o dispense, uma missão quase que impossível, onde a Empresa alegou que tinha investido muito na formação do matuto e que agora seria o momento de pensar em um retorno de tal investimento, inclusive prometendo uma promoção de função e salário, mudando a rotina das viagens, para o mesmo prestar serviços em um lugar fixo na Matriz ou gerenciando uma filial a sua escolha, mas isso não foi o suficiente para convencer o matuto a mudar de idéia, pois quando o bicho empaca, sai de baixo.

Foi pedido uma semana por parte da Empresa, para que se chegasse a um consenso, mas nesta semana que o matuto recebeu para estudar a possibilidade de continuar em seu emprego, coincidentemente também recebe um convite para trabalhar em uma Empresa da Cidade de Salto, exercendo a função de operador contábil, com promessas de ser o futuro contador da Empresa, pois o atual, não estava correspondendo. Já praticamente acertadas todas as bases, o matuto vai a São Paulo, exatamente no dia 12 de janeiro de 1987(2ª feira), comunicando ao seu patrão que já arranjou um novo emprego em Salto e pretende viver perto da família.

Com este argumento, convence o Diretor de Recursos Humanos Dr. Alencar, um Psicólogo compreensível, que dar razão para seu pedido, apesar do questionamento sobre o Status da função que o mesma ocupara e passando a exercer um cargo de auxiliar, dando vários passos para trás em matéria de realização profissional, mas como o matuto continuou firme em seu propósito, o Dr. Alencar convence a diretoria a o liberar e no dia 14 de janeiro de 1987 4ª feira), é desligado da Empresa e já no dia 15 de janeiro de 1987 (5ª feira), ingressa na nova Empresa na Cidade de Salto. Nascem mais dois filhos, a Damiris Polyana e finalmente o menino, o Moacir Júnior tão esperado pelo pai coruja.

Volta o matuto para praticamente suas origens, pois em Salto, uma Cidade pequena que se identificava um pouco com sua terra natal, pois apesar de geograficamente ser tão diferente, e distante, tinha algo em comum com seu povo hospitaleiro e interiorano.

Anos se passam e o matuto se vê encurralado e preso no cotidiano e monotonia, fruto de seu trabalho e os afazeres domésticos, mas nota-se que existe um vazio a ser preenchido. Com a ociosidade e um controle rígido das finanças, a esta altura já contador da Empresa, começam a aparecer os finais da tarde no barzinho e os finais de semanas de futebol com os amigos, surge a oportunidade do alcoolismo, onde o matuto começa a se entregar e exagerar na dose, como sempre gostou de ser solto e se casou com uma mulher que não gostava de interferir na administração destes assuntos, se iniciou um período de uma certa liberdade sem responsabilidade, onde prevalecia a Lei do "Eu sei o que estou fazendo" e não vejo nada de errado nisso.

Praticamente sem controle, surge uma Empresa americana que explora a atividade de Net Work Marketing, distribuindo produtos e serviços através de sistema de redes, um tipo de pirâmide, mas que os ensinamentos em matéria de motivação pessoal, são inquestionáveis, que através de seu distribuidor "Edmundo Roveri" convida o matuto a fazer parte de seu grupo corporativo, cuja função seria convidar pessoas a fazer parte de sua rede e fazer aprimoramento através de convenções, seminários e principalmente criar hábitos de leituras positivas e motivadoras.

Muito embora sobre um olhar de desconfiança de sua esposa, o matuto mergulha na nova missão, paralelamente com seu trabalho tradicional e começa a desenvolver seu negócio, no período noturno e nos finais de semanas, cuja potencialidade chegou a ser bem próspero, principalmente em matéria de aprendizado e fazendo um novo relacionamento, conhecendo pessoas que mais tarde seriam seus amigos, a exemplo do compadre Valter Berlofa entre outros.

Mas tudo que é bom dura pouco, o negócio fracassou e o matuto volta para a vida de outrora, porém com uma cabeça melhor preparada, produto do ensinamento recebido.

Após a dissolução de seu negócio de Net Work Marketing, inicia fazendo um negócio por conta própria, no ramo de polpas de frutas congeladas. Até que o negócio ia bem, mas se iniciaram as concorrências e a atividade ficou inviável, tendo que ser paralisada.

Voltando a rotina, o matuto mais uma vez deu sinal de fracasso e volta a sua vida de ociosidade, mergulha mais uma vez no álcool e chega ao extremo de falta de controle total. Perdendo assim o pulso sobre sua família e sua imagem entrando em declínio, chegando inclusive a se envolver com a Justiça, fruto de suas trapalhadas por causa do efeito do álcool.

FAMÍLIA FERRO - ORIGINÁRIA DE OUTRA REGIÃO, ADOTANDO SALTO POR OPÇÃO, RENOVANDO A TRADIÇÃO.
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